Objetivo de contar a história da raça negra de Magé e a oringem do quilombo em Maria Conga , dos bairros vizinhos e de outros quilombolas.
sábado, 10 de novembro de 2012
A importância do conhecimento.
Hoje aconteceu na unigranrio em Magé uma palestra sobre a memória da escravidão em Magé.Infelizmente não pude comparecer por motivo de força maior,mais já sei que foi um sucesso.É muito importante conhecermos o lugar em que vivemos.Boa noite;
Os outros não conhecer Magé, até vai lá, mas nós não conhecermos a nossa História??? Temos Histórias importantes. O nosso povo e principalmente os alunos dos colégios municipais, precisam saber do lugar aonde vivemos.
É isso ái!
Veja o que saiu no Jornal Extra de Hoje, sobre a Maria Conga de Magé.
Magé tem uma história cultural nascida de um sentimento nativista e de grandes contribuições à formação da cultura brasileira.
Embora hoje isolada no Fundo da Baía de Guanabara, Magé traz uma carga preciosa de folclore, belezas naturais e de resistência cultural. A cidade foi por muitas décadas, no período colonial e no Império, um núcleo importante de fixação do homem na Baía de Guanabara e nas suas ligações com a economia do Ouro das Minas Gerais e os interesses da Coroa Imperial.
Em Magé subsiste um grupo de cidadãos mesclados na faina de contar e conservar a história da cidade para preservar seus símbolos. A história da escravidão deixou marcas importantes na região. Essa história tem muitas facetas, mas paira ainda muito desconhecimento que reclama reflexão e pesquisa. Refletir sobre nossa história é um trabalho de paciente recuperação da memória coletiva e de trazer para a luz do dia descobertas da vida política e comunitária de nossos antepassados. Há um manto de cumplicidade tecido pelos grupos dominantes que mistifica e distorce a vida política e encobre a história e a identidade dos povos que fizeram o Brasil de hoje. Junto com isso aflora em nossa mente o sentimento nativista da nossa terra, onde vivem nossos filhos e netos e onde se formaram os laços culturais que nos tornaram brasileiros, cariocas, fluminenses, mineiros, baianos...
Quem de nós é capaz de olhar para a Baía de Guanabara e perceber seu contorno e sua geografia como o traço de luta do porvir fluminense? Quem de nós pode ver além da aparência e olhar Magé e seu povo como resultado de um processo histórico que conformou e gritou seu nome no pano de fundo da resistência de afirmação da cultura de nossa gente? E que mostra aqui, na palavra de um sobrevivente, a vida e luta silenciosa de todo um povo.
Subsistiu no olhar da nossa população, significados culturais oriundos das senzalas e dos quilombos, das paisagens rurais moldadas ao impacto dos navios negreiros, da proibição do tráfico e das experiências mortais de negros ao mar. Da morte, do horror da morte no mar aos milhares, no ardil da escravidão que fez ressurgir do sêmen escravo a reprodução do negro nascido atado às correntes do comércio escravocrata ou à servidão da corte imperial. Processos invisíveis que moldaram nossa sociedade e que tentamos recontar decifrando as tramas da memória dos que sobreviveram.
Não há uma cultura "branca" e, outra "negra", uma européia e outra africana nas Américas e que por aqui encontraram uma singular cultura indígena. Magé, a flor da raiz da serra imperial, onde, como produto dessa mistura engendrada na transição da ordem capitalista, vicejou a instituição do negro reprodutor. Guaraciaba, o negro e o Barão - reprodutor de fé de mais de 300 escravos - como ele, nascidos da morte e preservados na servidão, sobreviveu para contar sua história em verso e prosa da capoeira, do samba e da sua memória um pouco desamparada pelo tempo. Guaraciaba levanta-se dos escombros, sacode sua poeira em passes da capoeira banida, em canções do samba, para nos contar das suas artes e da sua lida diária para enganar e adiar a faina da morte.
Parabéns pela iniciativa.
ResponderExcluirOs outros não conhecer Magé, até vai lá, mas nós não conhecermos a nossa História??? Temos Histórias importantes. O nosso povo e principalmente os alunos dos colégios municipais, precisam saber do lugar aonde vivemos.
É isso ái!
Veja o que saiu no Jornal Extra de Hoje, sobre a Maria Conga de Magé.
Gilvaldo Dias Guerra
http://extra.globo.com/noticias/rio/baixada-fluminense/historia-do-quilombo-maria-conga-vira-documentario-6684872.html#axzz2Bux5r7bG
Prezados Amigos,
ResponderExcluirMagé tem uma história cultural nascida de um sentimento nativista e de grandes contribuições à formação da cultura brasileira.
Embora hoje isolada no Fundo da Baía de Guanabara, Magé traz uma carga preciosa de folclore, belezas naturais e de resistência cultural. A cidade foi por muitas décadas, no período colonial e no Império, um núcleo importante de fixação do homem na Baía de Guanabara e nas suas ligações com a economia do Ouro das Minas Gerais e os interesses da Coroa Imperial.
Em Magé subsiste um grupo de cidadãos mesclados na faina de contar e conservar a história da cidade para preservar seus símbolos. A história da escravidão deixou marcas importantes na região. Essa história tem muitas facetas, mas paira ainda muito desconhecimento que reclama reflexão e pesquisa. Refletir sobre nossa história é um trabalho de paciente recuperação da memória coletiva e de trazer para a luz do dia descobertas da vida política e comunitária de nossos antepassados. Há um manto de cumplicidade tecido pelos grupos dominantes que mistifica e distorce a vida política e encobre a história e a identidade dos povos que fizeram o Brasil de hoje. Junto com isso aflora em nossa mente o sentimento nativista da nossa terra, onde vivem nossos filhos e netos e onde se formaram os laços culturais que nos tornaram brasileiros, cariocas, fluminenses, mineiros, baianos...
Quem de nós é capaz de olhar para a Baía de Guanabara e perceber seu contorno e sua geografia como o traço de luta do porvir fluminense? Quem de nós pode ver além da aparência e olhar Magé e seu povo como resultado de um processo histórico que conformou e gritou seu nome no pano de fundo da resistência de afirmação da cultura de nossa gente? E que mostra aqui, na palavra de um sobrevivente, a vida e luta silenciosa de todo um povo.
Subsistiu no olhar da nossa população, significados culturais oriundos das senzalas e dos quilombos, das paisagens rurais moldadas ao impacto dos navios negreiros, da proibição do tráfico e das experiências mortais de negros ao mar. Da morte, do horror da morte no mar aos milhares, no ardil da escravidão que fez ressurgir do sêmen escravo a reprodução do negro nascido atado às correntes do comércio escravocrata ou à servidão da corte imperial. Processos invisíveis que moldaram nossa sociedade e que tentamos recontar decifrando as tramas da memória dos que sobreviveram.
Não há uma cultura "branca" e, outra "negra", uma européia e outra africana nas Américas e que por aqui encontraram uma singular cultura indígena. Magé, a flor da raiz da serra imperial, onde, como produto dessa mistura engendrada na transição da ordem capitalista, vicejou a instituição do negro reprodutor. Guaraciaba, o negro e o Barão - reprodutor de fé de mais de 300 escravos - como ele, nascidos da morte e preservados na servidão, sobreviveu para contar sua história em verso e prosa da capoeira, do samba e da sua memória um pouco desamparada pelo tempo. Guaraciaba levanta-se dos escombros, sacode sua poeira em passes da capoeira banida, em canções do samba, para nos contar das suas artes e da sua lida diária para enganar e adiar a faina da morte.
Um Abraço,
Gilvaldo Dias Guerra
GRUPO RESGATE MEMÓRIA MAGÉ
Veja o Vide:
http://www.youtube.com/watch?v=Amx48RJQIJ8&feature=channel&list=UL